5 Doenças do Gerenciamento de Projetos
janeiro 26th, 2012 | Published in Gerenciamento de Projetos
Este artigo descreve como o gerenciamento ágil de projetos, através da ferramenta Scrum, contribui com a redução dos atrasos em projetos. Foram aplicadas técnicas para atuar em determinadas causas de atraso, visando atingir o sucesso no cumprimentos de prazos. A pesquisa foi realizada por meio de observação participante em equipe.
1. Apresentação: As diversas técnicas de gerenciamento de projetos tem contribuido para o cenário de sucesso dos projetos. Conforme PMSURVEY (2011), 66% dos projetos tem alcançado sucesso em termos de prazos, custos, qualidade e satisfação dos clientes. Porém, 78% das empresas responderam que possuem problemas no cumprimento dos prazos. Em ELDER (2011), foram identificadas cinco causas de atraso relacionadas ao comportamento humano, chamadas de: As Cinco Doenças do Gerenciamento de Projetos. As metodologias ágeis abordam o comportamento humano como fundamental para o sucesso dos projetos. Com a intenção de curar as doenças, foi utilizada a ferramenta Scrum, para demonstrar como suas práticas podem contribuir com o tratamento das cinco doenças.
2. As Cinco Doenças: A realização dos projetos por meio de pessoas é uma das principais características do gerenciamento de projetos (INSTITUTE, 2009). Com isso, alguns fenômenos da natureza humana são observados em projetos e podem ser determinantes para o seu sucesso ou fracasso. Em seu artigo, Allan Elder identificou cinco problemas e os chamou de doenças do gerenciamento de projetos. Eles foram percebidos como causas-raizes para os seguintes efeitos indesejados: atrasos, recursos sobrecarregados, mudanças em excesso, recursos não disponíveis, prioridades mutáveis e retrabalho (ELDER, 2011). As cinco doenças identificadas como causadoras desses efeitos são o foco deste trabalho. Abaixo será descrito brevemente cada delas.
Multitarefa nociva: A alocação de mais de uma tarefa em paralelo à mesma pessoa, faz com que hajam interrupções entre elas. Isto gerá perda de foco e, consequentemente, o tempo de execução de cada uma aumenta.
Síndrome do estudante: Tendo um prazo definido para cada atividade, a tendência do ser humano é deixar que elas sejam executadas próximo das datas de conclusão.
Lei de Parkinson: Ao comprometer-se com uma estimativa, o ser humano tende a fazer com que ela seja cumprida. Ou seja, fazemos com que a execução da atividade ocupe todo o tempo planejado.
Dependência entre tarefas: Segundo a teoria, “probabilidade de eventos dependentes“, a probabilidade de terminar um projeto no prazo, tendo três atividades em série ou paralelo, com 90% de chance de terminar cada uma delas no prazo, é de apenas 73%. Quanto maior for a rede de dependência das atividades, menor será a probabilidade de terminar o projeto no prazo.
2 + 2 = 5: As tarefas finalizadas, não fazem com que as próximas sejam iniciadas logo após sua conclusão. Existe um tempo perdido neste intervalo, ou por não ser relatado o fim da predecessora, ou pela sucessora não estar apta a ser iniciada. Esse tempo contribui para que a soma das durações planejadas, seja diferente da duração realizada.
Devido às doenças descritas, é percebido que os atrasos são absorvidos pelo projeto, já os adiantamentos não. Cada doença prejudica de alguma forma o andamento do projeto, porém elas não ocorrem isoladamente. A combinação delas, torna o problema ainda maior, e requer conhecimento específico para que possamos atuar nas causas-raízes a fim de minimizar os seus efeitos.
3. Scrum e as Pessoas: Uma das premissas para utilização do Scrum, é que as equipes devem ser autogerenciadas. Isto quer dizer que devem possuir um certo grau de maturidade para que a ferramenta possa ter o seu benefício esperado (SCHWABER, 2011). Por tratar as pessoas e suas interações como mais importante que os processos, o Scrum possui técnicas que vão ao encontro desse princípio. As cerimônias, como, reunião diária, reuniões de planejamento, retrospectiva e review, são voltadas para a interação interpessoal.
O foco é dado no conteúdo que se é discutido e espera-se que os indivíduos possam ter a capacidade de melhorar os seus processos de acordo com os três pilares do Scrum (SCHWABER, 2011): inspeção, adaptação e transparência. Isto deve ocorrer durante todo o ciclo, pois a qualquer momento pode-se corrigir uma falha com o objetivo de ela não se propagar no andamento do projeto. No Scrum as responsabilidades são compartilhadas, fazendo com que os membros do time possam perceber seu papel e sua importância para o sucesso do projeto. A transparência através da gestão visual também tem influência no comportamento das pessoas. Ao expor em um quadro o andamento do projeto, bem como, o desempenho do time, este torna-se mais comprometido com os resultados. O time de Scrum sente-se realmente envolvido com o projeto, e não atua apenas como mais um membro da equipe.
Tendo foco nas pessoas e na melhoria dos processos, pode-se perceber que o gerenciamento ágil de projetos através do Scrum atua nas causas das doenças, podendo combate-las de forma eficiente.
4. Práticas para a Cura das Cinco Doenças: O meio como o Scrum pode contribuir na cura das doenças do gerenciamento de projetos é descrito abaixo, nao tendo como foco a explicação de como o Scrum funciona.
A utilização do quadro de tarefas evita que existam multi-tarefas nocivas no período da sprint. Uma das premissas do quadro é que possua um limite de execução, que é igual a capacidade do time. Somente poderá haver multi-tarefas, no caso de existir algum bloqueio do item que está sendo executado, fazendo com que o responsável fique impedido de prosseguir com a tarefa. Neste caso, ele deverá iniciar outra tarefa e justificar o porque de ter excedido o limite. O ideal ao identificar um bloqueio é que o time possa junto solucionar o problema, pois ele pode tornar-se um gargalo no desenvolvimento do projeto.
Como na sprint as tarefas não tem prazo pré-definidos, apenas o esforço estimado, o time se preocupa em executá-las o mais rápido possível. Isso faz com que diminua a inserção de segurança nas estimativas. As cobranças não são individuais por prazo (ótimo local), mas sim pela entrega do resultado geral do time (ótimo global). O monitoramento pelo gráfico burndown está alinhado ao ótimo global e proporciona a visão do andamento do time, bem como, das entregas de valor ao cliente. Os desvios de estimativas são discutidos na retrospectiva como forma de identificar as causas do desvio e proporcionar a melhoria contínua. Estas práticas evitam que a síndrome do estudante e a Lei de Parkinson prejudiquem o andamento do projeto.
O time dedicado para a sprint, o quadro do scrum e as reuniões diárias, contribuem para que as tarefas possam ser iniciadas assim que as predecessoras forem concluídas. Ao finalizar uma tarefa, o membro do time vai ao quadro e o atualiza, com isso, ao selecionar a próxima tarefa, ele terá a visão real de quais atividades podem ser iniciadas no momento. A informação é transparênte a todos os interessados e em tempo real. Com isso, diminui-se a chance de ter atrasos por dependência entre tarefas. A reunião diária contribui para ter uma visão mais clara do andamento de cada tarefa que está em execução. Com estas práticas, é possível garantir as entradas necessárias para início das tarefas que estão disponíveis. A desassociação de prazo faz com que os adiantamentos sejam absorvidos no projeto, e não somente os atrasos.
Com um time multi-disciplinar, qualquer membro pode executar as tarefas planejadas. Fazendo com que nenhuma prioritária fique aguardando uma pessoa específica estar disponível. Assim, é mantida a ordem de execução baseada no valor de negócio e não na disponibilidade dos recursos. Caso necessite de algum especialista externo ao time, é solicitado a sua participação nas reuniões de planejamento, envolvendo-o no contexto do que será desenvolvido e fazendo com que sinta-se responsável pelo resultado. A reunião diária deve ser usada para identificar o momento de acionar o especialista. A atualização do quadro do Scrum é outro fator que contribui para que as tarefas finalizadas fiquem visíveis para todos. Assim, o fluxo de valor da sprint não é prejudicado com espaços de tempo devido a falta de informação, ajudando a evitar a matemática onde, 2 + 2 = 5.
5. Conclusão: Os processos são importantes para a organização do gerenciamento de um projeto. Porém, não se pode negligenciar os comportamentos humanos. As interações interpessoais são críticas para o sucesso do projeto, e os processos devem estar alinhados às características das pessoas que irão participar do time. O gerenciamento ágil de projetos, por focar nos comportamentos dos seres humanos, possuem processos focados em gerar valor para o projeto.
Escrito por: Murilo Búrigo – Gestor de Projetos da Innovit
Olá a todos!
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© Abril 2011, Dr David Hillson HonFAPM, PMI Fellow

